Ada Pollara

Sobre o Livro: Sua prefaciadora e amiga, Mariza Ruiz, caracteriza seu estilo, primeiro como contista “… realista, às vezes seca, às vezes irônica, às vezes revelando seu lado siciliano de quem desconfia dos finais felizes da vida e a quem não apetece demonstrar sentimentos”, para logo distinguir na escritora uma poeta que “cede lugar  às dores d’alma, à nostalgia, à saudade. Lugares que não mais existem, pessoas que se foram, a juventude reclamada, a imagem do hoje que não corresponde ao ontem tão querido, a tristeza de ter se enganado nos amores, está tudo aí”, revela. Confirma que, nas letras de Ada, também há lugar para “o canto ao amor em que os relacionamentos são sagrados…”.

WINTER ROSE

Em meio à neve fria,
Congelante,
Surge um botão de flor,
Abre-se uma rosa
Vermelha, cintilante…
Teimosa.
Pois não é bom o inverno
Para as flores.
O cravo não se atreve
Nem a meiga margarida.
Uma orquídea? Talvez,
Mas não é certo.
As flores se recolhem
Não abrem seus botões
Nem se oferecem ao mundo:
É inverno!
Somente a rosa, insistente,
Teimou em se exibir.
Mostrou seu vermelho de fogo,
Seu vermelho de sangue…
Linda rosa de inverno.

O poema faz parte de sua mais recente obra de Ada Pollara. Mariza Ruiz, a prefaciadora do livro, ressalta, no final de seu texto: “eu cá quero finalizar comentando a poesia Winter Rose. Para mim essa Rosa de Inverno é minha amiga, botão de flor que desabrochou, vermelha e intensa, com tanto para viver e para contar, teimosa, persistente, enfrentou muitas agruras, foi corajosa, teima em se exibir e se exibirá sempre de uma forma intensa, pois merece mostrar-se, pois merece exibir sua produção: linda rosa de inverno”.

Sobre a Autora: Esta paulistana é uma contadora de histórias nata. Desde seu tempo de escola participa de concursos literários, tendo sido premiada e elogiada por nomes como Lourenço Diaféria e Torrieri Guimarães. “As observações desses dois especialistas na matéria encorajaram-me a prosseguir”, comenta a autora, que também recebeu palavras de aprovação de Mariza Ruiz, no prefácio do livro a ser lançado em breve pela Editora Kazuá. Para Ruiz, Ada Pollara “… se firma nos escritos. E vai prestando testemunho. Traz para o presente um passado saboroso”.

“Sempre gostei de escrever. Desde os primeiros anos de banco escolar sempre me dei muito bem contando histórias”, assegura Ada Pollara. Ela lembra que uma de suas frustrações naqueles tempos foi um incidente escolar envolvendo um evento literário. No concurso, cujo tema foi Minha Família, seu escrito foi considerado o melhor da classe, mas não recebeu o merecido reconhecimento porque a professora preferia passar seu “texto para outra aluna copiar e assinar sob a alegação de que a letra dela era melhor do que a minha. Mamãe não gostou da desculpa, reclamou…” e o texto da classe do terceiro ano não saiu.

A escritora transmite a energia de uma professora que se mantém ativa utilizando os recursos da Internet, onde continua ministrando aulas de inglês, mesmo depois de aposentada. Original do bairro das Perdizes, morou em diversas regiões da capital paulista e, atualmente, vive em Águas de São Pedro, no interior do Estado, lugar que a inspira a escrever, como gosta de enunciar. Inspirações que levaram a autora a escrever histórias baseadas em suas vivências, que nos permitem participar de momentos importantes de sua vida, em relatos e poemas.

Hoje, já com filhos e netos encaminhados, Ada Pollara pôde decidir a retomada do hábito de escrever. Em outros momentos, quando ainda trabalhava como secretária bilíngue, recebeu prêmios e elogios em concursos de literatura, mas optou por seguir a vida profissional e familiar. Mesmo assim, manteve o desejo de se expressar, o que rendeu histórias para contar e versos que moldou por anos.

botao-voltar