Albeniz Clayton

Sobre o livro: A narrativa deste livro inscreve as memórias do autor Albeniz Clayton na transcendente questão do comportamento humano, sublinhando aspectos como o preconceito e a discriminação.

Entre as passagens descritas, não sem marcas, mas a despeito delas, percebemos como o que chamamos de comportamento, este acervo de reações que desenvolvemos a partir das interações e dos estímulos suscitados pelos meios social e cultural, é um dos maiores predicados da condição humana. Este movimento permanente entre ação e reação permite o aprendizado individual e a formação do pensamento que está na essência das filosofias de vida.

As lembranças reunidas em Memórias de Urubu, oferecem ao leitor a oportunidade de perceber como atitudes discriminatórias podem se transformar tanto em fruto como em semente de frustrações e intolerâncias, sentimentos que costumam tolher o potencial humano e social.

Sobre o autor: Identidade criadora

O hábito de escrever surge cedo na vida do carioca naturalizado espanhol Albeniz Clayton. No final dos anos 70, na infância passada nas periferias do Rio, quando começou a escrever o romance de aventuras que chamou de A Procura. “Contava eu uns onze anos de idade. Era a história de um menino que buscava o seu pai desaparecido misteriosamente pelo Brasil. O menino viajava pelos estados do país, seguindo as pistas que iam surgindo no decorrer dos capítulos. Semanalmente, estes eram entregues à professora de língua portuguesa da minha escola, que os corregia e comentava. Dona Marlí, era o nome daquela que, bondosamente, lia meu primeiro manuscrito”.

Antes disso, o autor havia escrito pequenos poemas para sua namorada, aos sete anos. “Mais tarde, com quinze anos e vivendo em Belo Horizonte, dedicara-me a escrever dramaturgia. Com dezesseis anos recebi um prêmio da Secretaria de Cultura de Montes Claros, MG”. E foi bem depois disso, já na idade adulta, que decidiu cursar letras, na USP, tempo em que trabalhava com Arte Educação nas periferias de São Paulo.

Atualmente, depois de registrar diversas experiências dentro e fora do Brasil, Albeniz Clayton reúne memórias e reflexões de tempos passados na Espanha, Marrocos, França, Inglaterra, País de Gales e Finlândia, onde reside e trabalha.

Frequentou diversos cursos de Artes Plásticas e Literatura e publicou dois livros de poemas no Brasil: Ícaro e Eu, em 2007 e O Corpo e Outros Lugares, em 2010. Como artista plástico mostrou seus trabalhos em individuais e coletivas (pinturas, desenhos, colagens, performances e instalações) em Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba e no exterior na Espanha, França e Suíça.

Recebeu alguns reconhecimentos pelos seus trabalhos e criações: Primeiro Lugar de poesia em homenagem ao escritor Caio Fernando Abreu, Casa do Poeta de Santiago, 2010; Selecionado para o Nascente 1994, Museu de Arte Contemporânea de São Paulo; Colaborou com Peter Greeneway na Fundação Miró, em Barcelona, na exposição: Volar Damunt d’aigua, 1997.

Hoje em dia considera-se escritor e pintor e segue, como todo artista, a procura de sua identidade criadora.