Fernando Torres de Andrade

Sobre o Autor: Fernando Torres de Andrade é Paulistano, nascido na década de 1980. Começou a escrever quando arrumou seu primeiro emprego em um jornal e nunca mais parou. Auxiliar veterinário com o curso de Ciências Biológicas interrompido, mescla em seu estilo literário imagens reais com ficção do submundo, tanto natural quanto urbana, tendo vivido boa parte das linhas escritas. Viciado em livros de animais e de escritores marginais, sua primeira incursão na literatura mostra a rotina mesquinha aceita por algumas pessoas em busca de um bom salário e da mesmice aceita para terem o que mastigar no fim do dia. Um incômodo para quem aceita a falsa democracia imposta pelo sistema. Um acalanto para os que ainda acreditam em arte.

Sobre o Livro: A prosa de Fernando Torres é um livre exercício de linguagem. Frases curtas e impiedosas enfatizam o tom áspero das conversas cotidianas e denunciam a mesquinhez de uma existência banal, na qual grandeza e transcendência já não são mais possíveis. Não a nós, porque depois de confrontada com o rotineiro, a busca pela beleza já nos parece diluída, e a passagem do tempo se apresenta como pura angústia; aflição nos ponteiros do relógio. Essa é a obra de um escritor em formação que nos deixa claro o desejo de se aventurar pelos ritmos do dia a dia e mergulhar sem medo nos domínios da escrita automática, do delírio onírico, do fluxo de consciência e da livre transcrição de estados mentais. Seus narradores são criaturas que tateiam às cegas, inseridas em um território híbrido de sonho e realidade, sempre a balbuciar vestígios de seus absurdos, desorientados, iludidos pela sordidez cotidiana, pela anestesia diária e pela impossibilidade de se perseguir uma vida maior – daí o desejo de se libertar, evadir, transgredir, atingir o êxtase pela linguagem e pelo amor, porque sim, há espaço para o amor nessas linhas. Também o inconformismo se faz presente nesse livro, ora incendiário, ora já esquecido, extinto na voz de um senhor que profeticamente assegura: “Nadar contra a maré é pedir pra morrer faminto”. “Para Quando o Entulho Soterrar os Joelhos” é um registro experimental do crescimento de seu autor, que já em seu livro de estreia parece enfatizar o que aspira a realizar em seu ofício: o desejo de relatar e viver uma vida diferente.

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