Helena Soares

Sobre o Livro: O existir já é uma escrita

previne Helena Soares, sabedora das implicações do processo de conceber em palavras. Declara que os escritos que reúne em Vulnerabilidade nas Asas, são frutos de diferentes momentos, vulneráveis talvez pelo desejo de ir sempre além. O livro “é uma reunião de vários cadernos com títulos e poemas inacabados, escritos entre 2001 e 2011. Estava também aprendendo ser mãe, mulher, dona de casa, esposa, lidando com muitas particularidades sensoriais das quais ficam impregnadas as páginas”, diz.

Sua inspiração tem que ser provocada: “meu processo de criação faz uso de todas as vivências experimentadas através de observação, leitura e processo corporal performático. Vou acumulando, digerindo, uma hora coloco tudo no papel, depois vou relendo, reparando, acrescentando”, reflete a multiartista. A autora caracteriza este processo como uma sucessão entre observação e acumulação, onde ideia e informações podem ficar por dias “fluindo na cabeça, tentando se organizar…”. Embora diga não ter regras definidas, observa que costuma “… escrever e ler várias vezes para ver o que acrescento e o que tenho que cortar. Escrevo no caderno a mão, rabisco, reescrevo antes de digitar, mas, mesmo depois de digitado, ainda faço modificações. Gosto da genética da escrita”. E complementa: “vivo numa interação constante com esse lugar que me cabe, às vezes sim, às vezes não. O existir já é uma escrita”.

Sobre o AutorA palavra não é só a grafia, é antes o desejo de ser, existir

A autora, que em um de seus poemas se anuncia como poetriz, se impregna de todas as artes que pratica. Helena Soares é atriz, poeta, performer, diretora e professora de teatro, formada em artes cênicas pelo Teatro Universitário da UFMG. Esta mineira do Norte do Estado lançou Infrutescência, seu primeiro livro de poesia, em 2006. A poética desta obra foi também transformada em espetáculo teatral de mesmo nome no ano seguinte, tendo esta criação, participado de mostras e leituras poéticas: como espetáculo e como escritura.

Helena Soares é também integrante e diretora da Cia.h3 de Teatro, Poesia e Outras Liberdades, onde apresenta sua expressão pessoal e sua linguagem performática. Talvez por isso a autora prefira não definir um estilo para suas obras ”Isso de definir é estranho… Sou tão mutante. Definir parece ficar”, diz, completando a observação com a certeza de que prefere “as poéticas livres”. Livre como quando criança se encantava com as letras dos pedaços rasgados de jornal onde seu pai trazia as compras vindas da cidade: “Achava bonito aquele tanto de letras juntas, inventava leituras, mas não era. Então pegava um carvão e rabiscava a parede, mas não era. Interpretava pessoas falando, mas não era. Eu queria Ser…”, inspira.

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