JB Cardoso

Sobre o livro: JB Cardoso resolveu descascar a dureza do seu cotidiano de repórter e sublimá-lo em Literatura. Para isso optou pelo texto curto, um misto de conto e crônica, escapando pela tangente do estilo clássico de um e outro.

Seus cronicontos, uma miscigenação inventiva entre os gêneros, invadem a realidade para nos contar a vida, o mundo, as pessoas, o que é o material da literatura séria. Nós, leitores, queremos discutir este assunto; JB Cardoso dá starts necessários.

Suas histórias nos levam, sempre de forma dinâmica, a enfrentamentos, encruzilhadas, que nos surpreendem, o grande sentido do bom texto. Queremos ser surpreendidos! Queremos o susto de um mundo que parece banal, mas que deixa de ser quando literário.

“Medo dos becos”, “Troca de camisas”, “Perseguição” caracterizam bem sua tendência geral do texto curto. Ao final, avança com o trabalho “Traição” e “‘Busca”, num trajeto mais longo, fugindo de suas escolhas iniciais, mas sem perder o ímpeto e a concisão necessários. Um padre que se apaixona e detetives particulares atrás de adultério podem talvez pedir textos mais longos.

De qualquer forma, a temática é sempre forte. JB Cardoso transita pelos grandes dramas humanos com naturalidade, sem deixar de questioná-los e ao leitor. (Pedro Stiehl, escritor e poeta).

Um contador de histórias

Ainda lembro a primeira vez que conversei com o JB Cardoso. Foi por telefone, eu fazia parte da organização de um concurso literário onde um conto, de sua autoria, havia sido premiado. Fiz questão de lhe ligar para comunicar o resultado. Queria conhecer aquele sujeito cuja qualildade narrativa já era incontestável. O que me marcou, ao nos falarmos, foi a simplicidade com que recebeu a notícia. Parecia surpreso. Disse até, humildemente, que não era do ramo. Mas ele já era sim. E muito do ramo. Só faltava alguém que lhe contasse a novidade. Depois disso, fomos colegas de jornal, nos tornamos amigos e tudo o que vi foi o crescimento de um grande narrador.

JB tem seu estilo. Gosta de ser direto como a vida é, não aprecia ficar enrolando. Nos prega peças ao encerrar seus contos de forma sempre surpreendente. O bom é que instiga á releitura. E o melhor ainda é que JB tem uma técnica que provoca ao leitor um mergulho em suas histórias que o narrador se torna invisível. Como um bom juiz de futebol, não é notado porque não falha. E seus personagens caminham ao nosso lado, são nossos vizinhos, conversam conosco no bar ou nalguma notícia de jornal. São reais. Palpáveis. Comuns e complexos como todos nós.

JB é aquela leitura de final de tarde, de anoitecer, de espera no aeroporto, de descanso. É literatura de entretenimento da melhor qualidade. Afinal, precisamos refúgios, vez em quando. E nada melhor para nos abrigar a alma do que um bom contador de histórias. E JB o é, definitivamente. Já devem ter contado para ele.

 Oscar Bessi Filho, escritor.

Sobre o autor: Gaúcho de São Leopoldo, o autor João Batista Flores Cardoso assumiu sua assinatura de contista, JB Cardoso, para firmar suas crônicas jornalísticas e sua produção como repórter.  Quiçá porque após a premiação em um concurso literário foi convidado a escrever crônicas para jornal, e, desde então, atua como jornalista em mídia impressa assim como no rádio, redigindo também para a mídia eletrônica de tempos em tempos.

Alfabetizado aos cinco anos, o autor não perdia a oportunidade de ler desde que aprendeu a identificar as letras com a mãe. E, embora quando criança tenha gostado de desenhar, diz que lhe faltou talento, assim como afinação para a música. Sua habilidade estava mesmo em escrever e criar histórias, que se expandiram em seu imaginário com a vivência diária das entrevistas e do cotidiano no jornalismo.

O autor distingue sua produção jornalística da sua narrativa literária: “A rotina do jornal, de certa forma, engessa um pouco a criação literária. É outra linguagem, outra construção”. E observa que, ao contrário disso, a prática de usar a linguagem literária em uma reportagem “me rende alguns elogios”.

Atualmente, mora em Montenegro, município pertencente à Região Metropolitana de Porto Alegre e detentor do título de Cidade das Artes, menção que orgulha e inspira o contista que, pelo seu trabalho, frequenta ambientes teatrais de dança e artes visuais. “Aqui tem uma universidade pública com faculdades em Artes”, menciona, reconhecendo a importância do fazer artístico.