Lorene Camargo

Sobre o Autor: Opção pelas letras

“Psicóloga de formação e artista por auto-intitulação” é como se define a autora da Kazuá, Lorene Camargo. É também “indignada por opção”, o que deve ter influenciado em sua escolha de se tornar militante em movimentos estudantis, durante sua graduação em Psicologia. Ela adota uma postura política também no uso das palavras ditas e escritas: “Carniceira das boas condutas, maravilhosas e repressoras…”, exclama.

Figura idealista, ela relembra uma infância em que a disciplina não proporcionou muitas brechas em sua criação e lhe rendeu lembranças fortes que ajudaram a forjar o seu caráter. A autora escolheu expressar seu inconformismo também a partir do verbo, e pede que deixemos de lado o julgamento moral para então mergulhar no contexto de seus personagens.

Muitos de seus relatos surgem de suas insatisfações com questões sociais, num ritual quase terapêutico, e confessa que elaborou diversas situações que poderiam se tornar traumáticas contando com a cumplicidade de sua expressão literária. Expressar-se em palavras trouxe também temas como a brasilidade, que lhe proporciona grande contentamento e satisfação. É entusiasta de rodas de samba e da natureza positiva do improviso.

Sobre o Livro: Muitas das vezes a fala de um ’outro’ é o que nos desperta…

Questionada sobre seus sentimentos em relação à literatura, Lorene Camargo responde que esta forma de arte possibilita um cenário alternativo àquele em que estamos inseridos e com ela se pode “viajar sem sair do lugar”.

Distingue também a oportunidade de encontrar pensamentos, idéias e concepções, concretizados por um outro escritor e “expressas em papel” como se também fossem parte de cada um de nós. “É uma das melhores sensações: o tesão gerado ao ler um parágrafo que contém tanto de você. E que, sem alterar uma vírgula, assinaria embaixo”.

João Henrique Balbinot, colega de profissão e de ofício da psicóloga e escritora Lorene Camargo, escreve no prefácio da obra da autora: “Neste livro, composto de dezenove peças, entre contos e poesias, a autora também passeia por diferentes estilos, com a preocupação de priorizar não a forma, mas o conteúdo, principalmente aquele contido nas entrelinhas (que, aliás, para nosso encanto, são muitas). Mas em nenhum momento isso quer dizer que tenha havido um descuido quanto às questões formais, pois, como leitora assídua, aqui Lorene – a escritora – vagueia entre suas diversas influências, seja Bukowski, Hilst, Fonseca ou outros, demonstrando uma narrativa extremamente madura e sóbria (sem excessos e outros rebuscamentos desnecessários), além de enredos que nos permitem pequenos vislumbres acerca de tudo o que é humano”.

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