Luigi Ricciardi

Sobre o livro: “O criacionismo segundo Ricciardi.

Criador e Criatura remete a um espelho, ao momento em que sujeito que cria e sujeito criado inevitavelmente se olham. As criaturas de Ricciardi são iconoclastas: não se contentam apenas em adorar seus criadores; ao contrário, apontam-lhes o dedo, expõem os momentos de preguiça e descuido de seus demiurgos. Os criadores, por sua vez, descobrem que também foram criados, que também são imperfeitas semelhanças de outros sujeitos – ocultos, indeterminados (e, em alguns casos, inexistentes). A brincadeira brinda o leitor com a sugestão de uma vertiginosa cadeia de criadores olhando não para os céus, mas para dentro de si e indagando-se sobre o que há por trás das teclas do Word do sujeito que os escreve. É um exercício admirável e primoroso de meta-literatura – e, claro, de literatura, com L maiúsculo, capaz de contornar Maringá com metafísicas, com metalinguagem. Com vida.

Luigi Ricciardi é o dervixe atrás disso tudo. Reconhece-se criador, mas não nega sua condição de criatura: eis aí a grande potência do livro. Se, em alguns casos, o autor se coloca como sujeito criado, rebelando-se e colocando em xeque a existência de um paraíso além-vida, em outros, Ricciardi exerce com domínio a arte da criação. No conto que dá nome ao livro, Ricciardi descreve o delicioso e angustiante jogo de xadrez entre inventor e invenção. O diálogo preciso (e é possível dialogar com aquilo que criamos?), o fluxo de consciência, a rédea e o controle da situação demonstram um autor estudioso, dominador de intrincadas técnicas literárias. E, se possui a técnica na rédea curta em uma mão, na outra não se deixa levar pela sisudez: brinca com mestres literários, desfila com personagens maringaenses, com futebol, com amores e elegias sobre ruas da infância.

É, de fato, digno de ser lido e aclamado. Este belo livro e o seu autor. O criador. E a criatura.” (Por Marcos Peres)

Sobre o autor: O paranaense Luigi Ricciardi, graduado e mestre pela UEM/PR, é doutorando em Literatura na UNESP/SP. Publicou os livros de contos Anacronismo Moderno (2011) e Notícias do Submundo (2014). Em 2014, esteve entre os finalistas do Prêmio SESC de Literatura com um romance que ainda permanece inédito. No mesmo ano, foi incluído na Antologia 101 Poetas Paranaenses, organizada por Ademir Demarchi e publicada pela Biblioteca Pública do Paraná, contando com os principais poetas da história do Estado.