Márcio ABC

Sobre o livro: “Fascinados pelos Rolling Stones”, diz a sinopse, “uma garota e cinco meninos vivem num mundo de fantasias inocentes e despretensiosas. Enquanto tentam superar os obstáculos escolares, isolam-se em seu pequeno paraíso afastado de tudo e de todos para tocar e sonhar com um mundo utópico no qual planejam levar a boa vida que imaginam ser a de seus ídolos. Entretanto, um silencioso acaso os sugará aos poucos para uma sequência de acontecimentos que mudarão suas vidas de modo dramático”.

Para a crítica literária e doutora em literatura brasileira, Lúcia Facco, responsável pela análise do livro antes que ele fosse avaliado pela Editora Kazuá, trata-se de uma obra “sofisticada e emocionante”.

“É tocante sem ser piegas”, diz ela. “E, o mais importante, toca tão profundamente o leitor, de uma maneira tão intensa, que o faz perceber a capacidade que o ser humano tem de levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima”.

O escritor, poeta e professor de história Vitor Biasoli, autor do prefácio, identifica o livro como “ousado e corajoso”. Para ele, a trama “envolvente, sedutora e escandalosa” é levada ao leitor numa linguagem “desabusada e crua”, o que o torna ainda mais atraente. “É um romance capaz de jogar o leitor na lona”, avalia.

Sobre o autor: Nunca pensei em ser escritor! Estranha asseveração vinda de quem demonstra evidente intimidade com o arranjo das palavras e com os sentidos da prosa, mesmo que tenham surgido em sua vida: “por acaso”, como diz de maneira resoluta. O autor conta que o gosto pela Literatura só apareceu na idade adulta e que o hábito de ler era esporádico em sua família. “Morávamos no sítio e eu me lembro de que tínhamos alguns livros de José de Alencar, Machado de Assis e Aluísio Azevedo, entre outras obras que meus irmãos liam no ginásio. Mas eu ainda estava começando a ser alfabetizado e esse pequeno universo literário se encontrava muito distante do meu núcleo de interesses, muito mais preenchido pelas brincadeiras no campo”, relembra.

Sua assinatura como escritor surge com um pouco mais de idade, justo aquela que costuma ser a inspiradora preferida de seus protagonistas, já que declara gostar “de escrever a partir de personagens que não estão ainda formados para a vida, que enfrentam as dúvidas e todas as adversidades da infância e da adolescência”. Foi uma atitude da mocidade que fez surgiu a identidade de autor, que para além de uma sequência alfabética, antecipava seu futuro ofício na ressignificação das letras: “Márcio ABC nasceu numa aula de história, no ginásio, em 1976. Até ali, desde 1964, havia o Márcio Antonio Blanco Cava, originário da Lagoa Seca, bairro rural do município de Cafelândia, interior de São Paulo. Na tal aula, a professora o pariu quando esbravejou por causa do cabeçalho da prova, onde ele abreviara o nome completo. A partir de então, por teimosia própria e pela repercussão do episódio (os colegas, por exemplo, passaram a chamá-lo de ABC), o novo nome foi adotado”. É como Márcio ABC que ele apresenta seus textos “desde o início de sua carreira de jornalista, cumprida até agora em jornal impresso, rádio, revista, televisão e internet”, e atualmente também como escritor.

Alega saber fazer pouca coisa além de escrever – entendimento que talvez siga seus caminhos de exigência – já que parece convencer platéias, embora, como diz, não atue nos palcos destinados à representação: “É que muita gente costuma dizer que eu sou animado e engraçado, mas na verdade acho que não se trata disso, acho que é uma máscara que visto para ser agradável com meus amigos e com quem me relaciono. É um modo de esconder que no fundo sou irremediavelmente triste”. Triste? Agudo, permeável, sensível, talvez sejam adjetivos mais apropriados…

Como grande frustração aponta “não ter tido a capacidade de ser músico, cantor, instrumentista, tanto faz. Paciência. Quem sabe eu ainda aprenda a arranhar o violão” e confessa que acha difícil ter preferências entre as manifestações artísticas “porque mesmo tendo mais acesso ao cinema, por exemplo, eu posso me emocionar como nunca numa única peça de teatro. Mesmo estando no universo dos livros, eu posso me comover absurdamente ao ver um homem colhendo café”.

O primeiro romance surgiu “por acaso”, inspirado numa história que lhe foi contada. Em seguida, não parou mais de escrever. Tem três romances publicados: Parabala (2002), Desrumo (2010) e Pater (2012). Diz que nunca pensou em ser escritor, mas considera a escritura uma necessidade fisiológica. Como escritor e leitor, define a Literatura como “um estado de prazer, como numa refeição ou numa experiência sexual. Também aqui o prazer pode ter suas consequências indesejadas, como uma indigestão, uma brochada… mas não deixa de me absorver”.

botao-voltar