Marco Aurélio de Souza

Sobre o livro: Conexões Perigosas experimenta a linguagem desvertebrada e catártica de blogs de confidências e chega para perturbar e provocar leitores com a fragmentação, as colagens, o intertexto e a transmídia que estão presentes na rede mundial. Em busca de um lirismo anticonvencional, o jovem Marco Aurélio de Souza sequer desviou da escatologia e de temas tabus para conjugar sua escrita dábliu dábliu dábliu. Ficção herdeira da linha iniciada por “Os Sofrimentos do Jovem Werther”, de Göethe, a partir de cada página de provocação, um bug é instalado no formato de romance. Trata-se de uma obra ficcional que perscruta as mudanças estabelecidas pela tecnologia em nosso modo de pensar, sentir, comunicar, sonhar e desejar. Narrativa própria daqueles que confidenciam e escrevem tags com as sístoles e diástoles de um coração ciborgue.  (Ben-Hur Demeneck)

Sobre o autor: Irremediavelmente marcado pelo lugar.Para o paranaense Marco Aurélio de Souza, ter nascido em Rio Negro ‒ cidade limítrofe ao município catarinense de Mafra, comunidades integradas pelo rio que dá nome à localidade ‒, é um dado decisivo no “modo de experimentar a vida, já que minha visão de mundo está irremediavelmente marcada pelo lugar, pelo provincianismo das relações que a gente estabelece na cidade pequena. Nunca morei nem tive vontade de viver em uma metrópole”.

O autor é daquelas pessoas que gostam da “sensação de segurança e, simultaneamente, do sufocamento que as cidades médias e pequenas oferecem”, e proclama ser um interiorano sem solução. Pondera que o reflexo da opção por morar em cidades menores aparece em sua escrita “marcada pelo intimismo, pelo mergulho subjetivo típico daqueles que aprenderam a, na ausência de um leque de opções tão rico como o dos grandes centros, explorar o lado de dentro, o da percepção das trivialidades do mundo e das coisas pequenas”.

Atribui sua relação inicial com a literatura ao encontro com as obras de Franz Kafka, dos autores da Geração Beat e posteriormente, de Herman Hesse, comenta que foi com eles que começou a entender a experiência da literatura. Pensando sobre onde se deu a descoberta dos livros o autor responde: “Na escola, sei que não foi. Não comecei minha formação de leitura com o cânone. Achava a maioria dos escritores clássicos um porre. Mas também não foi com os amigos que aprendi a gostar de ler, mesmo que alguns deles fossem, antes de mim, leitores de ficção. A única resposta que considero plausível é a de que, quando mais novo, meu envolvimento com a música facilitou a minha entrada para outras artes. Talvez por isso a leitura dos beatniks, que são muito citados nas histórias da contracultura. Acho que é isso, minha descoberta dos livros é fruto da contracultura”.

Segundo o autor a identidade cultural e artística possibilita aos sujeitos ampliar a percepção de que a realidade é múltipla e que depende de contextos e circunstâncias, e é este mesmo universo de referências pessoais pode fazer “você ampliar as possibilidades da identidade, faz crescer os caminhos possíveis de quem você é, a ponto de, por vezes, a gente se perder tanto e de tal modo, que já nem consiga mais responder a essa questão básica do quem eu sou. Isto explica porque temos tanta dificuldade para falar de nós mesmos. Soa sempre como uma simplificação barata e grosseira. Espero que eu seja um pouco mais do que isso”.