Pedro Port

Sobre Sírinx – monólogo de um imortalNa contracapa deste livro-poema encontramos indícios dos versos que a compõem.

“Esta é uma história de paixão, é uma história de atração e de repulsão, é uma história de metamorfose. Esta é uma história grega da idade de ouro, contada por um poeta do século XXI.

Dois personagens são chamados a protagonizá-la: o deus Pan, figura híbrida, meio bode, meia humana, cuja mera aparição desorganiza a polis e infunde o pânico nos indivíduos. Sírinx, ninfa da Arcádia, a jovem caçadora, a virgem das florestas, é a antagonista que polariza a atenção do fauno.

É dele, Pan, a voz que fala neste monólogo. Bem assentam-lhe os versos alexandrinos, que evocam com magia e beleza o mundo encantado do mito.

Pan é uma força da natureza, uma energia vital em contínua expansão. É vitalista a energia que emana do poema de Pedro Port e se traduz numa espécie de pansexualismo cósmico. É trágico e desejável o erotismo  que assiste o encontro entre as duas figuras.

A presente edição que a Editora Kazuá traz à público, tira do ineditismo esta obra que encontrará, com toda certeza, seu lugar apropriado no seio da literatura brasileira.” (Os editores)

Sobre AntifacePedro Port é pedra forte

Antiface de Pedro Port

A musa dos poetas magros sabe picotar rasantes, cortar a pedra fosfórea que tudo queima e risca – cálamo e florete… O lirismo do azougue perpassa sem ferir a poética de Pedro Port.

Ei-lo que passa, altivo, único de sua espécie em nosso tempo. Pois Pedro não tem época, é de todas – tanto pode trocar estocadas na esquina, como o ácido Quevedo, como salpicar amenos epigramas sobre a cabeleira da ninfa mais próxima. Assim é, assim será sempre, pois a poesia é sua medida de felicidade. Como urbano e familiar demiurgo. Topógrafo atarefado e atarefado jardineiro das estrofes, ei-lo, o prisioneiro de incansável tarefa, sempre a medir, moldar e polir. Por isso nunca dorme – Excetuando pelas manhãs…

O vate suspeito de jansenismo infuso, muitas vezes assusta o parvo facilitário dos lirismos ligeiros que circulam satisfeitos.

Por vezes o ranger metálico das armas ecoa num verso, avatar de suas permanentes batalhas. Mas o poeta será sempre perpétuo infante, e sua casa – o verso – chama-se aurora.” (Rodrigo de Haro é poeta, escritor e artista plástico)

Sobre o autor: Pedro David Port nasce na cidade gaúcha de Cachoeira do Sul, no ano 1941. Em 1964 lança a antologia “Poesia Vezes Três” com apresentação de Mário Quintana. Cinco anos mais tarde forma-se em filosofia, atua na imprensa, em Porto Alegre, como crítico de cinema. No ano de 1973, depois de prolongada errância pela América do Sul, fixa-se em Florianópolis. Publica “Vento Sul” pela Editora Noa Noa em 1979, mesmo ano em que conclui o curso de pós-graduação em Literatura Brasileira na Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC e ministra curso de estética para professores de Literatura. Em 1994 publica “Cântaros” pela editora Athanor e aparece na “Ilhíada” pela mesma editora. Lança a primeira versão de “Antiface” pela editora Athanor em 1997 e “Lâmina Órfica” no ano seguinte, pela mesma editora.