Valciãn Calixto

Sobre o livro: Reminiscência é um fragmento, um pedaço de consciência de outrora que se fixou na memória. É, portanto, fratura de tempo congelada, a esforço, no peito de quem lembra. Qual a ruptura de verdade que Genival lembra? Em Reminiscências do caseiro Genival, Valciãn Calixto apresenta uma voz titubeante, algo bêbada, que não está lá, não se apresenta, nem diz a que veio. Genival, esse lugar-de-meio, personifica e encorpora três discursos, três performances, três ensaios: pai, mãe e filho. Em cada parte, o corpo mais se ausenta que se mostra, deixando vazar pelos caminhos dos versos, uma existência precária, da ordem do sobreviver às doenças e dias do ano, ônibus lotados, nostalgia, melancolia. Enfim, tristeza e dor. (Marcelo Diniz é poeta, autor de Amiudar (2014), integrante da Geração Perdida de Minas Gerais e licenciado em Letras pela UFMG)

Y cuando quiere ser medusa el plátano,
Iré a Santiago.
Iré a Santiago
Con la rubia cabeza de Fonseca.”

Muitos já se perguntaram o que seria “la rubia cabeza de Fonseca” neste poema de Garcia Lorca. Um deles foi Rubem, igualmente Fonseca, que ficou intrigado com o enigmático verso a ponto de escrever um texto sobre o assunto. Anos depois, em Cuba, o escritor ganhou uma caixa de charutos da marca Fonseca. Ao abri-la, deu com as feições de um jovem de “rubia cabeza” – o Fonseca em questão. Encerrava-se o mistério.

A poesia de Valciãn Calixto tem presente em muitos de seus versos “La rubia cabeza de Fonseca”. E é por isso que seus poemas são como “puros” cubanos. Prescindem de significar para apenas fazer eco às idiossincrasias do poeta.

Tomando contato com essas estrofes é como se pudéssemos tragar a sua sensibilidade, ampliando-a para outras dimensões. Talvez Calixto consiga tal (e)feito porque não perfuma a flor. Isso fica claro ao lermos sua “Receita Caseira” de poesia. Raras vezes ‘tão pouco’ foi tão caudaloso como em Reminiscências do caseiro Genival. (Carlos Castelo é escritor e publicitário premiado em Cannes e letrista conhecido pela atuação junto à banda Língua de Trapo)

Sobre o autor: Nascido aos treze dias do mês janeiro em 1991, Valciãn Calixto é poeta, formando em Comunicação Social pela UESPI, guitarrista e compositor na banda Doce de Sal.