KAZUÁ DIVULGA: Ivan Camargo, um narrador da cultura caipira

03/07/2017

O autor Ivan Camargo, da cidade de Tatuí (SP), lança, no próximo mês de agosto, o livro “Golpe Baixo”, publicado pela Editora Kazuá. O evento de apresentação vai integrar as comemorações do aniversário da cidade, celebrado no dia 11 de agosto, e fará parte da programação da tradicional Semana Paulo Setúbal, que homenageia o escritor nascido em Tatuí.

O livro já está disponível para compra na loja virtual da Kazuá 

Em sua nova obra, Ivan apresenta uma série de “histórias quase apolíticas e nada corretas”, todas buscando, com bom humor, questionar e satirizar o “coitadismo”. “O livro não se importa com os tais limites do humor, fazendo questão de pisar torto do outro lado da linha”, como define o próprio autor.

O livro se divide em nove histórias, e abre com uma reescrita do clássico “O Alienista”, de Machado de Assis.

“’Golpe Baixo’ é para nós, imperfeitos e politicamente incorretos, pobres pecadores, que comungamos a crença de que, diante de tanta hipocrisia, ainda é melhor rir quando travestidos de palhaços involuntários do que choramingar sob a máscara da encenação dramática.”

Com extenso currículo no jornalismo, teatro e dois livros publicados, Ivan Camargo soma-se ao grupo de escritores e escritoras da Kazuá. A Editora valoriza outros trabalhos realizados por seus autores e apresenta um pouco mais da trajetória de Ivan Camargo aos leitores.

JORNALISMO

Jornalista graduado pela Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), Ivan editou, de 1992 a 1994, o jornal “Stopim”, um tabloide de humor inspirado no histórico “O Pasquim” (1969-1991), do Rio de Janeiro.

Em 1995, assumiu a editoria do jornal “O Progresso”, um dos mais relevantes semanais da cidade de Tatuí, interior de São Paulo, fundado em julho de 1922, onde segue até hoje.

LITERATURA

Ivan Camargo possui dois romances já publicados. Em 2008, lançou seu primeiro livro, “Onde Moram os Tatus – Um Punhadão de Estórias Caipiras” texto que recebeu duas premiações nacionais e uma estadual, e foi selecionado pelo Proac (Programa de Ação Cultural) do Estado de São Paulo, que garantiu sua edição.

A obra busca valorizar as tradições caipiras a partir de um resgate histórico desse universo, ambientando a história na cidade de Sorocaba do século XIV. Longe de ser um documento histórico, “Onde Moram os Tatus” apresenta situações ficcionais baseadas na prosa e folclore caipira, afirmando seu compromisso com “a invenção e a lorota”, tão tradicionais a essas narrativas da cultura popular.

Sobre o livro de estreia, o crítico Fernando Jorge, vencedor do Prêmio Jabuti em 1962, escreveu: “Em minha opinião, os três maiores prosadores que São Paulo teve, no século passado, foram estes: Monteiro Lobato, Afonso Schmidt e Valdomiro Silveira. Afirmo, se Ivan Camargo fosse contemporâneo desses três escritores, e tivesse publicado naquela época o livro ‘Onde Moram os Tatus´, eu o incluiria na lista dos quatro maiores prosadores de São Paulo. Gostei tanto da obra que a li de um só fôlego, completamente magnetizado.”

Em 2009, também por seleção do Proac, lançou seu segundo romance, “Assombrações Caipiras”. O autor reafirmou seu interesse em retratar a cultura caipira, porém, inspirou-se em um processo mais jornalístico para realização do livro. Ivan partiu de uma série de entrevistas com idosos, que relataram personagens e episódios misteriosos de sua infância.

A história de um jovem em busca de um tesouro escondido vai acompanhando os diferentes mitos de assombrações caipiras contados por seu avô, apresentados a partir dos relatos colhidos por Ivan no processo de pesquisa.

Em “Golpe Baixo”, Ivan se distancia do universo caipira para discutir questões que envolvem uma temática contemporânea, própria dos grandes centros urbanos, que passam a fazer parte também do cotidiano de cidades menores a partir de um processo de incorporação dos valores da modernidade.

Entre as problemáticas escolhidas, um advogado fanático pelo politicamente correto em “O Corretista”; os protestos recentes que tomaram o país em “Manifestações de Desejo”; os valores tradicionais na educação feminina em “Três Amigas”; e uma crítica ao feminismo sectário em “A Última Flor do Macho”.

TEATRO

Ivan escreveu diversos curtas-metragens, um longa e seis peças de teatro, sendo quatro destas inéditas. Encenadas, teve duas adaptações: “Priscila, a Rainha da Caatinga” – baseada no filme “Priscilla, A Rainha do Deserto” – e “Vovó Delícia” – a partir do livro homônimo de Ziraldo.

Pela UBE do Rio de Janeiro, em 2011, conquistou a primeira colocação no “Prêmio Dias Gomes”, categoria teatro, do Concurso Internacional de Literatura, com a peça “Até que A Morte nos Enlace”. Em 2013, pelo mesmo certame, alcançou a terceira colocação no “Prêmio Martins Pena”, com a peça “Santa Casa da Luz Vermelha”.

Em todos os gêneros narrativos, o autor sustenta uma característica em comum: a linguagem do humor.