Luiza Pastor explora o universo BDSM no livro ‘Legenda erotica’. Lançamento acontece quarta-feira na Praça Roosevelt

07/12/2017

Lançamento da obra acontece na próxima quarta-feira, 13, na Estação Satyros, em São Paulo. Ilustrações são da filha da autora, a artista Paula Chimanovitch.

No dia 13 de dezembro, quarta-feira, a Estação Satyros na Praça Roosevelt, em São Paulo, será tomada por um universo pouco conhecido de muitos e tanto praticado por outros. O lançamento do livro Legenda erótica, da experiente jornalista Luiza Pastor, transfere o leitor para as experiências e relatos das práticas sexuais de BDSM (Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo).

As práticas e expressões eróticas dão o tom da obra, que foi escrita a partir de mais de uma década de observação da autora por dentro do universo fetichista e seus praticantes. As ilustrações ficaram por conta da artista Paula Chimanovitch, que é também filha de Luiza e produziu verdadeiras obras de arte para criar as imagens do livro.

O evento será aberto para performances, cenas e leituras. A autora e ilustradora também realizarão sessão de autógrafos com a venda do livro e as ilustrações que compõem as páginas da obra também estarão à venda. O evento começa às 19h, na região central de São Paulo, próximo à estação de metrô República.

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MARQUE NA AGENDA:


O QUÊ: Lançamento do livro Legenda erotica, de Luiza Pastor

QUANDO: Dia 13/12, quarta-feira

ONDE: Estação Satyros – Praça Franklin Roosevelt, 134 – Centro, São Paulo – SP

COMO: Entrada grátis, venda do livro, sessão de autógrafos e apresentações

 


Confira o relato da autora para entender melhor suas motivações e o processo que deu origem à Legenda erotica:


“Com que roupa se vai a uma igreja acompanhada por um dominador sádico?” A frase da personagem principal de meu livro, Legenda Erotica, que será lançado na próxima quarta-feira, dia 13, pela Editora Kazuá, poderia sintetizar o tom que percorre todo o texto. Desde que o comecei a escrever, percebia que, além do tom fortemente erótico do conteúdo (podem chamar de pornográfico, não me importo, mas tirem as crianças da sala), a iconoclastia que me inflama contra todos os credos e seus tabus estaria presente, lado a lado com o fio condutor da narrativa – as peripécias de uma mulher que mergulha nas masmorras do universo BDSM.

O que me atraiu a esse mundo, do qual até então, 12 anos atrás, só tinha referências exacerbadas pela obra do Marquês de Sade (ganhei o primeiro livro que li dele, 120 dias de Sodoma, nada menos, da minha avó quando fiz 21 anos), foi a curiosidade. Queria entender o que faz com que algumas pessoas obtenham seu prazer a partir da dor e da humilhação, própria ou do outro.

Havia acabado de ler o Legenda Aurea – A vida dos santos, de Jacopo de Varazze, que conta as desventuras dos mártires canonizados até o século 13, e algo ali martelava no fundo do cérebro: não bastam valores e convicções para se enfrentar a tortura de peito aberto sem fraquejar. É preciso mais. É preciso buscar o êxtase que Bernini tão bem retratou no rosto de Santa Teresa. Pode-se afirmar que todos os santos eram masoquistas? Claro que não, toda generalização é medíocre e, para muitos, não chegou sequer a existir a opção de renegar sua fé. Mas foi esse o gatilho que me levou a procurar saber mais do que pensam, como vivem e o que comem esses seres que se escondem por trás de aparências tão normais e apelidos extravagantes. Daí o título de Legenda Erotica, que nasceu antes mesmo do texto em si.

Escrito e reescrito ao longo dos últimos anos, nunca chegou a ser um projeto prioritário em minha vida profissional. Tê-lo cometido me bastava, me respondia a muitas perguntas e divertia por ser algo tão diferente do que habitualmente produzia. Era meu pecadilho secreto, pode-se dizer.

Mas, aí, ao acompanhar o trabalho artístico de minha filha, Paula Chimanovitch, percebi que ali podia haver uma parceria mais rica, uma cumplicidade muito além do elo familiar. Conheci a Editora Kazuá por meio de uma amiga e… em menos de três meses, estava pronto o livro que agora jogamos às feras. O editor, Evandro Rhoden, embarcou conosco de cabeça no projeto, e viajamos juntos em sua concepção. O resultado não é apenas mais um livrinho de sacanagem (embora tenha muita), nem uma versão tupiniquim dos tais tons de cinza que, de BDSM, não têm nada. Aliás, não há nada mais distante do BDSM que a cor cinza. A cor predominante, aí, é o preto. Quanto mais preto, melhor. Pintalgado de vermelho-sangue, então, ninguém segura!

Boa leitura!